Fotografia (025) Espaços para respirar


Em suas composições, além da aplicação coerente da regra dos terços (que comentamos em outros artigos), vale entender que o quadro que envolve um objeto, deve dar a este mesmo objeto algum espaço. Obviamente irei explicar melhor e, ao longo deste artigo, colocarei outras interpretações e dicas para quebrar esta “regra”, pois nada é absoluto. ;)

Começarei com uma reflexão mais avançada, que poderá levantar algumas questões interessantes. Abaixo apresento um momento de ambiente e cores elegantes. A emoção que a dama apresenta tem um ar de dúvida e até uma certa negação, como se algo estivesse fora de sincronia - esta é apenas uma interpretação que faço deste momento que servirá de rota para o que iremos ler em seguida.


Agora partirei para a tal reflexão avançada... o espaço para o lado em que a dama olha é limitado. De certa forma o observador (você ou eu) é gentilmente convidado a se retirar da imagem e acompanhar o olhar dela.

O lado oposto (terço direito) até oferece algum contexto, que coloca o elemento humano dentro de um cenário, mas esta parte do cenário contribui somente até aí – oferece contexto, mas não tem tanta força atrativa, portanto é uma área de pouco interesse.


Sem o terço fraco (direito) e num formato de moldura diferente (fiz um corte quadrado) o assunto (que é a expressão de dúvida da dama) ganha força. Minha atenção se prende nela e ali fica, portanto a composição (arranjo dos elementos e ideia) ganha destaque e interesse. Abaixo expresso o meu olhar sobre o que já fora registrado.


Comecei este artigo de forma direta para que possamos entender a importância da moldura sobre a ideia. Compor é isto... ideia e moldura, de resto temos técnicas e “maquiagem”.


Olha o menino... se parece com a dama do exemplo anterior, porém o terço esquerdo do quadro oferece contexto, movimento e colabora para a ideia do autor. Neste caso não há o que sugerir, pois a imagem encerra toda a ideia em si mesma, sem margens para dúvidas quanto ao ponto de vista do autor.
Alex, podemos ter pouco espaço para um ou mais elementos dentro de uma composição?


Sim, podemos! Quando a intenção é, por exemplo, elevar o contato visual entre as partes (observador e obra). O caso acima exemplifica bem isso e a ave não fica “sufocada” dentro do quadro.
Entendido até aqui? Então vamos ver um exemplo de como podemos sufocar um elemento para revelar uma ideia.


 A dama não tem espaço, para o lado em que está olhando. Mas vejam, eis que surge um cãozinho esperto. Que composição feliz... note que o cão tem espaço, mas está posicionado no canto inferior e isto aumenta a sensação de “malandragem” e ingenuidade do animal. Muito bom ter espaços quebrados dentro de uma ideia atraente.
No caso abaixo o espaço branco... preciso pausar o comentário para dizer que espaços “limpos”, com certa uniformidade e de poucas informações são chamados de espaço negativo... voltanto, o espaço negativo não tem nada para apresentar, mas o movimento das mãos sim. Os braços formam uma figura... uma taça. A taça reforça meu interesse na expressão dela. Sobra espaço para a direita do quadro, mas este corrobora para fortalecer a composição.


Não fique preso a olhar para os lados e pensar: “Devo usar a regra dos terços e dar espaço para os lados! ”
O mundo que percebemos é tridimensional, então temos outros eixos para observar. Olhe alguns exemplos:
Espaço para frente!

Espaço para trás!

Espaço para uma diagonal (conforme a direção do olhar do cidadão)!

Explore o espaço e ganhe profundidade. Evite certos tipos de fotografia onde o elemento poderá estar aprisionado, a não ser que a ideia seja de cárcere, fuga ou que seu tema envolva um contato direto com o elemento retratado.
Novamente... isso não é uma verdade absoluta e milhares de outras ideias podem dar forma para composições belíssimas. Este artigo (bem como todos os outros deste blog) tem por objetivo oferecer uma rota de pensamento para iniciantes na fotografia.

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